segunda-feira, março 13

Charley

Perdi o Charley e conheci a desilusão.
Hoje a minha barriga ronca de fome e de saudade do Charley.
Naquele dia de muita poeira o vento varreu a terra e o Charley de mim.
Ele vestia uma camisa cor de areia e era 17h30.
Quase não se via ele, indo ao longe, no fim da estrada e da cidade, de tanta poeira
que tudo era.
Hoje não sei do Charley. Ele nunca voltou. Ele nunca mandou notícia.
Me pergunto ainda onde anda o Charley.
ele me deixou com os meninos pequenos que são a cara dele. Mal consigo olhar para os
meninos e não chorar. Mal consigo olhar para os meninos.
Ás vezes eles choram o dia todo.
Olho de longe, maneio a cabeça, dou de ombros e choro também.
Nossas barrigas roncam de fome e nós choramos.
Mas só eu choro pelo Charley.

3 comentários:

orlando pinhº d-silva disse...

fome do charley: contrastes: sentimentos: necessidades.
bela síntese!
salve ayla,
surpreendendo sempre!

tiago ítalo disse...

Olá! Bem, eu não soube do evento aqui na UECE em Quixadá, mas fico feliz de você ter vindo aqui. (rs)

Agora, sobre o seu blog.

Fazia tempo que não lia uma coisa tão intensa, à meneira de Hilda Hilst. Gostei muito. Saber que há gente assim como você, é ter a certeza de que, realmente, podemos sentir a poiesis fluir no mundo.


*Sim, moro em Quixadá, mas sou de Iguatu, e lá temos um grupo de escritores. Nós estamos querendo fazer um evento na cidade. Bom seria mantivermos contatos. Se você estiver interessada, claro!

* meu cel. (88) 9908-6230

Valeu!!!!

Sol disse...

nossa! imaginei e interpretei aqui a mulher do Charley. rsrsrs
Acho q tu ia odiar!!rsrsrs