segunda-feira, março 13

Ás vezes fim de tarde, ás vezes domingo

Eu conheci outro dia uma das piranhas dele.
tava lá na esquina comprando o pão da tarde.
acredita?
Tava lá.
Mas também o que eu tô dizendo?
Eu também sou piranha dele.
Não, melhor, eu sou piranha.
Dele eu não sou, não.
Ela é.
É piranha.
E dele.

O problema é que quando ele chega perto
assim, bem perto, fala torto, assim, bem torto
perto-de-mim
meus joelhos se separam, não sei como dizer
não é que minhas pernas se abram,
porque no meu corpo eu mando,
não é que elas se abram
eu é que me deixo assim, mole
mas só porque é ele
porque ele tem isso que os outros não tem
e minhas pernas entendem

Ás vezes ele me leva no alto do descampado
ás vezes fim de tarde, ás vezes domingo
me pega por debaixo da saia
assim, como que de repente,
zump, a mão embaixo da saia
eu gosto
é de surpresa
de repente a mão me encontra o meio
me encontra as carnes miúdas, as partes por dentro,
o que me é úmido e a mim pertence
mas ele quer

no alto do descampado
eu subo nele
monto mesmo
e, dali, me encanto sempre
com o vai-e-vem das árvores arredias

e assim seguem os dias,
felizes,
em desalinho com meu peito.

2 comentários:

edilson disse...

Ufa!

Sol disse...

Uaal!! eu tbm sou piranha!rsss
mto bom! cênico cênico!!