domingo, janeiro 8

Quem já foi kobaya que escarre no chão

Eu já fui kobaya há muito tempo atrás e alguns anos depois novamente.
Pode não ser bom, no entanto no cerrar dos dentes aprendemos a não morder a língua.
A língua mordida incha, dificulta o grito, deixa o gosto de sangue. Depois de um tempo você acostuma, mas descobre-se depois que é perigoso gostar do sabor doce do sangue.

Quem  já foi kobaya que escarre no chão.

Por que a cidade é ferozmente um tesouro escondido.
Quando reluz nunca é ouro, é frequentemente ilusão.

Já caminhou na cidade a noite onde ninguém mais caminha?
Já sentiu o odor que outros não ousam sentir?
Já encontrou lá esse tesouro que ferozmente se esconde?

A cidade é frequentemente feroz e terrível ilusão.

Quem nunca foi kobaya que levante a mão.

Grande e pesaroso saber que o que se carrega consigo de nada serve quando a cidade resolve te engolir. A cidade canibal  feita de gente e pouca sorte.
Essa cidade feliz travessia, travestida de morte.

A gente busca um sorriso, um entendimento, avista carros que boiam, o marasmo de companhia, um abraço te asfixia.

A cidade te engole, um buraco no asfalto, uma boca de lobo, um gato preto no tardar da noite.

Quem já foi kobaya que escarre no chão.



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