domingo, fevereiro 28

entre o sexo, úmidas

pra se despedir ele me beija forte. Enlace de carne morta.
enfia dois dedos em mim e os suga em seguida
sempre seguido de um barulho que é seu e eu reconheço.
reconheço muitas coisas desde então.
muitos reconhecem.

deslizo por sobre você
as palavras que guardei para de manhã.
segurei-as entre o sexo, úmidas
para que delas se farte quando for noite.

me anuncio entre ir e ficar
entre partir e me cortar
entre tirar o que em mim é mansidão
e o que em mim é furacão

enquanto escorrem as palavras pelas minhas coxas
ele veste a última camisa limpa
vagueia pelo quarto
admira o sol
e se vai

Um comentário:

bilis disse...

Isso que é poesia, há um tempo que não vejo algo ressoar tão existencial