terça-feira, janeiro 27

Cortina tez




Era um homem como outro qualquer. Segurava uma flauta doce e um olhar perdido, via-se por detrás da janela. Era uma janela dentro da casa, mas que avistava-se da rua, do ônibus, de longe, que ele segurava uma flauta e um olhar perdido.
Nos minutos em que me detive olhando-o, ele nada fez. Não moveu os braços em direção à boca, não tirou do instrumento nenhum som, como esperei, não fitou ninguém, não piscou.
Saí de lá com a impressão de que ele buscava inspiração, respostas, silêncio, qualquer coisa que o tirasse da condição de estátua, ali enfeitando uma nesga de janela.
Quem sabe se no escondido do olhar perdido ele não toca a mais maestra das obras.

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