terça-feira, maio 22

Notas de diário roubado: crônicas + interferências sonoras


Para ouvir:
http://soundcloud.com/bin-rio/sets/notasdediarioroubado/

Para baixar:
http://www.sendspace.com/file/51x2fp


Mme. Drunken Butterfly - Notas de diário roubado

Há tempos escrevo um blog que conta as histórias da Madame Drunken Butterfly, uma borboleta boêmia, exagerada e de poesis urbana.
No entando, mesmo sendo a autora sempre me senti como uma espectadora a observar o cotidiano dessa borboleta.
Um livro de crônicas é um modo de comunicação direta com o leitor. Conversa-se com ele de forma que não perceba os fios que o conduzem a se envolver na história. Quando perceber pode ele mesmo estar bêbado.
Dessa forma, o blog, quase que de forma autônoma, se tornou um livro de crônicas e desse para uma versão com áudio. Apresentamos aqui, eu e Gil Duarte, essa versão com áudio, sendo de sua autoria as interferências sonoras. Um resumo do livro original de crônicas Notas de Diário Roubado, mas isso não prejudica o leitor ouvinte de participar dos encantos e desencantos de Drunken.
As histórias contam trechos da vida de uma borboleta boêmia, moradora de um jardim que fica na cidade grande, cercada, ela e a cidade, por bares e seus diversos personagens.
Interagem todos, ela, os personagens e a cidade, em meio as estações do ano e os sentimentos que afloram dos desencontros. Sim, por que os encontros são todos interrompidos, inacabados e não se sabe se reais.
No mais, as crônicas se apresentam mediante os humores e os amores de uma Madame Borboleta Bêbada.




Aqui um trecho da crônica recitada, mas adianto que é mais legal escutar todas as crônicas + interferências sonoras.

As asas continuam batendo junto com o coração que eu queria que parasse.
Talvez meu coração devesse ser as asas que tenho. Elas são leves; ele pesado. Elas têm cores variegadas e ele é monocromático. Elas me levam e, a ele, eu carrego. Com ela vôo e com ele não consigo dar um passo.
Tenho um amigo que diz que sou sensata, mas digo a ele que não é sensatez: é meu coração que me impede de ir adiante, aonde as asas querem me soltar.
Por isso a palavra é cuidado.
Entre sementes e jardins, tenho andado, entre flores e caules espinhosos, tenho andado e a palavra é cuidado. Não pelos espinhos, não pelas rosas. Mas por que diante da possibilidade do efêmero me entristeço. Tudo tem sido efêmero e assim o é, principalmente aqui na natureza, aqui onde vejo as árvores e suas mudas de folhas, os caules enrijecendo e enegrecendo e os passarinhos que abandonam o ninho ao voar.
Mas (!), diante do que é belo choro. Ainda.
E isso ainda me faz querer ter coração e olhos, e peito e lágrimas e dores e amores.
Antes só chorava por que sofria.
Que feliz descoberta a de chorar pelo belo.
Aprendi há pouco e me delicio lambendo os lábios, os meus e os seus.
Que feliz descoberta, a de chorar pelo belo.
Mas mesmo assim não tem sido fácil bater asas. Parece que me desacostumei a elas. Elas ainda pesam, PIOR, elas agora pesam.
Antes era delicioso voar, mesmo com dor. Não tem sido assim.
Não tenho conseguido o desprendimento necessário, acho.
As coisas estão postas. O que faço com elas agora?
Me parece que tenho viajado léguas, mesmo sem saber aonde ir. Sentindo o cheiro das flores, como se adivinhasse o caminho, ou a seguir os pássaros que migram. Mas de certo não sei aonde ir, mas vou.
Me parece que tenho viajado léguas, sem chegar nunca. E trago comigo muitas bagagens. Me desfaço delas em cada parada, cada porto, vilarejo, mas nas léguas seguintes elas estão lá. A me tomar o caminho, a me prender ao chão. Eu sei que não as quero que delas não tiro o que preciso, que com elas meu chão parece inóspito. Embora agora veja flores, campos na primavera. Mas me parecem não durar um sopro sequer.
Me desacostumei a primavera também. Sempre desconfio dela.
Há felicidade e flores demais na primavera.

Escute e ou baixe e me diga aí!

Mais: 
http://www.negodito.com/reversos-madame-drunken-butterfly/



3 comentários:

Revista Pechisbeque disse...

Dei uma sacada nas duas primeiras.
Gostei, tu gosta mesmo de beber né?
Brincadeira, gostou a tranquilidade, tá na fase da paz e do amor?
É uma coisa difícil ler e música como fundo. Mas fiquei com vontade de ouvir um cadinho mais

Uma Escada para o Nada disse...

Então Revista Pechisbeque, quem gosta de beber é Mme. drunken butterfly... e ela gosta especialmente de vodca, saca? Escuta e baixa o resto. Abraços.

Indonesia Bali Hotels disse...

Very nice post . . . i love it