sábado, abril 21

A bóia amarela

Gastei minha adolescência com filmes bobos demais. Hoje, náufraga, procurando no mar aquela bóia amarela que ajuda a flutuar, tenho tempo pra pensar. Enquanto afundo e respiro, afundo e respiro, entre a falta de ar e água que me engasga descubro o tempo perdido, as horas gastas e que me trouxeram aqui.

Antes de totalmente me afogar penso que assim é. Lembranças servem pra isso, descubro agora. Você as usa na melhor das ocasiões, ás vezes com a voz da pessoa que desperta sua lembrança. "Não foi como você queria, mas é assim". Deal with it, seria a expressão usada naqueles filmes bobos da adolescência.
Penso que não estou lidando da melhor forma possível, já que estou me afogando.

Se eu me afogar significa que eu desisti ou foi só um acidente inevitável?

De qualquer forma eu não escolhi me afogar, me jogaram um balde de água fria desde o momento em que resolvi ter sonhos. E quando você pensa que isso é a história da sua vida, você escuta a moça do lado, em um consultório médico, onde tudo é impessoal, expondo em lágrimas, através de um celular,  os sonhos desfeitos.
Pensei em jogar-lhe também uma bóia amarela e salvá-la, mas eu mesma me afogava ali ao lado, nos meus próprios sonhos desfeitos.

Mas assim como nos filmes, onde tudo dá errado pra moça feia e desengonçada que no final ganha uma piscadela do garanhão da escola, entre a falta de ar e a água que me engasga, espero que a vida me sorria e não me deixe afogar.

Mas se eu me afogar é porque a bóia amarela me faltou e saberei por certo que os filmes eram mesmo bobos e que com eles gastei tempo demais.





2 comentários:

Alan Félix disse...

Boia e sgue as ondas para a areia.

Beijos!

Rebeca Xavier disse...

esquece a boia amarela e prende a respiração. às vezes os filmes bobos são mera correnteza. a onda sempre quebra na praia.