Ela com a flor no cabelo é ainda mais oferecida que a maioria
das outras com flor no cabelo.
Flor no cabelo é pista, é dica, é toque.
Tome minha flor, mais acima, mais a vista, mais exposta.
Pra que esconder o que eu sei que você quer? - ela diria, a flor.
Ela com a flor no cabelo, espera entre luzes semafóricas a travessia
dos autos. Ignora por desantenção, por não achar possível, que uma flor no cabelo seja o motivo de tantos engasgos. Mas aqui na América Latrina, uma flor no cabelo é um sim.
É um sim de boca larga, boca amaçanzada, dentes á mostra e voz rouca. Quem fala é a flor no cabelo. Não importa se é moça singela, se é moça casada, se é moça-homem, a flor no cabelo tem voz própria, é pacto velado, todos sabem. É um sim.
Uma flor no cabelo, na América Latrina, faz plástico ter cheiro de flor colhida e fresca. Faz vestes de madame virar saia de meretriz. Faz o caminho de casa se desenrolar em ataques frontais de verdureiros e aldeões.
Ela com a flor no cabelo, a despeito do cheiro do plástico e da própria flor no cabelo, não desvenda o código das multidões em conserva dentro dos ônibus, olhando vezes furtivamente, outras encadescentes, o rebolado da flor no cabelo.
Ela caminha descompassadamente como se chegasse em casa a cada quarteirão, sempre desacelerando. Você espera que ela tire a chave da bolsa e pare em frente aquela casa, a próxima, depois a outra. Querendo que ela se salve das salivas patriarcais da América Latrina. Mas ela não se salva e parece não se importar. Não parece haver ofensas e nem tampouco desagravos. A flor no cabelo responde por ela.
Ela com a flor no cabelo esconde por entre os fios enegrecidos um headphone, uma música distraída, uma forma singela de escudo, que em definitivo a salva dos gritos de invasão e posse de terra que acontecem ás flores no cabelo, aqui na América Latrina.
1 comentários:
Hello foi a 2ª vez que vi o teu blog e reflecti imenso!Bom Trabalho!
Até à próxima
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